segunda-feira, 25 de julho de 2011

Saber viver

Saber viver é saber dizer NÃO e não se sentir culpado, aprisionado.

Saber viver é tentar lutar contra os demônios das dúvidas e inquietações, mesmo que pareça impossível, consequentemente não se preocupar demais , não tentar solucionar os problemas de todo mundo e esquecer o essencial, VOCÊ.  

Saber viver é saber questionar mais e lamentar menos. Temos o péssimo hábito de não resolver os problemas no momento certo e depois tentar justificar o que ficou pendente.

Não existe uma fórmula secreta para se viver bem 100%, mas existem medidas paleativas para adquirirmos uma boa qualidade de vida, como por exemplo, tentar não levar as coisas tão a sério a ponto de ficar remoendo o que já passou, é sempre muito ruim. Preocupe-se mais com o agora.

A maioria das desavenças são relativamente mal interpretadas, irrelevantes, já parou pra pensar?
As vezes nem sabemos o motivo ao certo, pois quem é que gosta de levar desaforo para casa? Ninguém é claro! Enfim, mal conseguimos esperar a pessoa terminar de falar e já tiramos conclusões precipitadas. É o não saber esperar, o não saber ouvir, a falta de paciência e tolerância que cada vez temos de menos.

Saber viver é assim, mesmo complicado é GOSTOSO DE SE VIVER…

Então permita-se:

Rir de si mesma;
Sonhar bastante, sem medo de tropeçar ou o que os outros vão pensar;
Viver intensamente cada momento, cada sentimento;
Amar e demonstrar esse sentimento, sem deixar para depois;

Se tiver mais alguma coisa que ainda tens vontade de fazer, faça e seja feliz!


By Luciana Façanha

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A mulher boazinha

Qual o elogio que uma mulher adora receber? 
Bom, se você está com tempo, pode-se listar aqui uns setecentos:
mulher adora que verbalizem seus atributos, sejam eles físicos ou morais.
Diga que ela é uma mulher inteligente, e ela irá com a sua cara.
Diga que ela tem um ótimo caráter e um corpo que é uma provocação,
e ela decorará o seu número.
Fale do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso, da sua presença de espírito,
da sua aura de mistério, de como ela tem classe:
ela achará você muito observador e lhe dará uma cópia da chave de casa.
Mas não pense que o jogo está ganho: manter o cargo vai depender da sua
perspicácia para encontrar novas qualidades nessa mulher poderosa, absoluta.
Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe,
que ela tem uma voz que faz você pensar obscenidades,
que ela é um avião no mundo dos negócios.
Fale sobre sua competência, seu senso de oportunidade,
seu bom gosto musical.
Agora quer ver o mundo cair?
Diga que ela é muito boazinha.
Descreva aí uma mulher boazinha.
Voz fina, roupas pastel, calçados rente ao chão.
Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja,
cuida dos sobrinhos nos finais de semana.
Disponível, serena, previsível, nunca foi vista negando um favor.
Nunca teve um chilique.
Nunca colocou os pés num show de rock.
É queridinha.
Pequeninha.
Educadinha.
Enfim, uma mulher boazinha.
Fomos boazinhas por séculos.
Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada, ceguinhas.
Vivíamos no nosso mundinho, rodeadas de panelinhas e nenezinhos.
A vida feminina era esse frege: bordados, paredes brancas,
crucifixo em cima da cama, tudo certinho.
Passamos um tempão assim, comportadinhas, enquanto íamos alimentando um
desejo incontrolável de virar a mesa.
Quietinhas, mas inquietas.
Até que chegou o dia em que deixamos de ser as coitadinhas.
Ninguém mais fala em namoradinhas do Brasil: somos atrizes,
estrelas, profissionais.
Adolescentes não são mais brotinhos: são garotas da geração teen.
Ser chamada de patricinha é ofensa mortal.
Pitchulinha é coisa de retardada.
Quem gosta de diminutivos, definha.
Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa.
Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo.
As boazinhas não têm defeitos.
Não têm atitude.
Conformam-se com a coadjuvância.
PH neutro.
Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das intenções,
é o pior dos desaforos.
Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes, ciumentas,
apressadas, é isso que somos hoje.
Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos.
As “inhas” não moram mais aqui.
Foram para o espaço, sozinhas. 

Martha Medeiros
Martha Medeiros é jornalista e escritora brasileira, também colunista do jornal Zero Hora de Porto Alegre,
e de O Globo, do Rio de Janeiro.